Domingo, Julho 05, 2009

Play me, I'm yours!



Por estes dias nas ruas de Londres vai sendo possível encontrar pianos espalhados pela cidade. Uma data deles, todos pintados ou decorados de formas pouco convencionais. Segundo o autor, a ideia desta instalação é a expressão livre e popular das pessoas pela música. Cada piano é como se fosse uma tela em branco, que alguém vai colorir. Cada transeunte pode decorar a cidade a seu gosto com os sons que lhe vierem da alma (e dos dedos), ou simplesmente deleitar-se a ouvir os outros. A instalação já passou pelo Brasil e pela Austrália. Esperemos um dia poder vê-la por Lisboa!

Sábado, Julho 04, 2009

A turma (entre les murs)



Aproveitei a boa iniciativa da alta de Lisboa e desloquei-me ao simpático parque da Quinta das Conchas para ver um filme que prometia muito e que nunca tinha calhado a ver. Não me desiludiu. O tempo é curto, muito, e por isso mesmo o retrato pareceu escasso. Mas o pouco que foi mostrado foi fidelíssimo a muitas coisas que se passam no nosso cantinho à beira mar plantado. Turmas multiraciais, também temos. Turmas problemáticas, desmotivadas, indisciplinadas, aos milhares. Se há uns anos poderíamos dizer que eram exceções, hoje em dia, se calhar, são a regra. 

E não há que ter pena do pobre professor de Francês. Há que tomar consciência que aquele professor de Francês é um pouco cada um de nós, enquanto professores, com os seus dilemas, angústias, zangas, orgulhos, defeitos e virtudes. Apenas a tentar transmitir um pouco de conhecimento. Uma excelente sobremesa para fim de ano letivo.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Para encher o ego

Casa Fernando Pessoa

No dia 3 de Julho, as classes de piano dos professores Fausto Nobre e Sara Costa irão apresentar-se na Casa Fernando Pessoa, num recital de final de ano. Os alunos, de vários níveis de aprendizagem, tocarão peças de Charles Hervé e Jacqueline Pouillard, Michael Aaron, Carl Czerny, J. S. Bach, Barbara Kirby-Mason, Ludwig van Beethoven, Clementi, Tiago Videira, John Kember, J. Brahms e G. Fauré. 
O programa tem início às 18h30.

Quinta-feira, Julho 02, 2009

O dragão ausente

«Eu digo a uma pessoa que tenho um dragão na minha garagem. Essa pessoa quer confirmar a existência do dragão, e pede para que eu a leve lá. Mas, ao chegar lá, na garagem não se vê qualquer dragão. E é aí que eu afirmo que "este dragão é invisível". Então a pessoa sugere espalhar farinha pelo chão para se ver as pegadas do dragão, ao que eu respondo que "este dragão flutua no ar". Então a pessoa sugere usar um detector de infravermelhos para detectar o calor do fogo que o dragão expele, ao que eu respondo que "o fogo deste dragão não emite calor". Então a pessoa sugere um spray para pintar o dragão, ao que eu respondo que "além de invisível, o dragão é incorpóreo". E assim sucessivamente, cada proposta da outra pessoa para testar a veracidade da minha afirmação, eu arranjo uma desculpa para que isso não dê resultado. Moral da história: "Qual é a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo e flutuante, que cospe fogo sem calor; e a ausência de dragão?"»  - Miguel Galrinho

«Se eu acreditar que o dragão existe posso mudar o meu comportamento devido a essa crença e dar por exemplo um enxerto de porrada a quem ridicularize essa crença.

É uma diferença brutal entre um dragão invisível... e a sua ausência.»   - Migas

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Restaurante Atira-te ao Rio



Ontem foi dia de regressar a um lugar que me é bastante querido: o Cais do Ginjal e o seu magnífico restaurante "Atira-te ao rio". Num cenário algo degradado, decrépito e aparentemente desolador de casas em ruínas e armazéns aparentemente abandonados na beira-Tejo, encontramos um restaurante com esplanada magnífica e ambiente acolhedor. A vista é deslumbrante especialmente na transição do sol para as sombras, que foi à hora a que fomos. Apanhámos Lisboa com sol, o seu estonteante pôr-do-sol, e viemos embora com uma vista by night.

O jantar, íntimo com gente gira e adorável, foi composto por entradas de bolinhas de pão queijado. Depois seguiu-se um bobó de Camarão: miolo do dito embrulhado em mandioca e óleo de palma, servido com arroz. Para acompanhar, uma limada (igual à caipirinha, mas com água em vez de vodka). Pedimos ainda lasanha de bacalhau, Moqueca de peixe e Pato Alegre. Para sobremesas os eleitos foram os Manjares brancos, divinais pudins de côco regados com calda de ameixa, Quindim, doce de ovos com côco e uma mousse de goiaba. Tudo regado com música brasileira calminha e no volume certo para nos acompanhar de fundo.

O preço ficou em 22 euros por pessoa, com direito a boas memórias.

Tiny Tim - Living in the sunlight, loving in the moonlight



Tiny Tim era alguém muito especial com uma musicalidade e graciosidade muito próprias. Em tempos tristes e de crise, nada como recordar a sua mítica e alegre (extremamente alegre!) versão de "living in the sunlight, loving in the moonlight", carregadinha de tiques e com um timbre delicioso. E soltem o pequeno Tiny Tim que existe dentro de cada um de vós!...

Terça-feira, Junho 30, 2009

Contemplações (CXLIX)



«O Guloso volta sempre ao local do creme.» - Manuel António

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Choque tecnológico e a Educação (II)

Um dos problemas que se põe com o choque tecnológico é, então, a desadequação do atual corpo docente às necessidades e expetativas do ensino que se propõe ministrar. Com computadores ligados à internet em cada sala de aula é esperado que o professor faça uso deles permanentemente, é esperado que adeque a sua planificação aos recursos que tem. E isto é uma tarefa que não é fácil. 

Para começar, como convencer milhares de professores que durante anos a fio deram as suas aulas com quadro e giz? Como convencê-los a sair da sua apatia e dizer-lhes que agora têm de trabalhar a sério, têm de se renovar, têm de aprender. Sabemos a resistência à mudança. E sabemos quão difícil é a adaptação de gerações mais velhas a novas tecnologias. Por isso vamos ter muita resistência no corpo docente mais envelhecido. Caberá às novas gerações irem implementando as mudanças desde já e tentando transmitir o seu conhecimento informático aos mais velhos.

A experiência ainda é rainha. Que choque psicológico poderá causar ao corpo docente mais velho sentir-se ultrapassado por putos novos que mexem com habilidade com as máquinas? O problema é mais profundo do que parece. 

É ver docentes envelhecidos a acharem que os alunos de agora estão permanentemente desmotivados e indisciplinados a demitirem-se dos seus deveres. Pura e simplesmente não conseguem, e não têm já resistência para aturar uma cambada de malcriados. Assim debitam a matéria para quem quer ouvir. No final atribuem notas fictícias para não terem de justificar 20 chumbos numa turma de 24. E assim vão cantando e rindo até cairem de esgotados e meterem baixas consecutivas e a reforma. 

Todo o sistema parece doente. Os alunos porque cresceram noutra era, precisam de outras motivações, outra forma de estar na sala, outra maneira de serem ensinados. Os professores porque têm de mudar o paradigma, têm de alterar a sua forma de dar aulas se almejam a ter sucesso e menos ralações. Vai exigir trabalho e muita formação, muita disponibilidade mental e física de todos. E muito menos burocracia e sucesso fácil fabricado. Exige-se rigor. A informatização veio aí. E quem quer fazer o resto?