domingo, outubro 09, 2011

A vida continua



















Foram sete anos consecutivos a publicar notícias, memórias, bitaites e tudo o mais neste espaço ao qual me fui afeiçoando e com o qual consegui alguns seguidores. O blogue mantém, muito graças ao enorme conteúdo que dispõe, de ainda uma média de cinquenta visitas por dia. Por isso mesmo ficará online enquanto a memória quiser e for útil para alguém. Actualizações, nesta fase será de todo improvável. O ritmo foi quebrado de uma maneira irreversível. A razão? Mudei-me para Austin, Texas. Já não estou em Portugal há quase dois meses. E a cabeça navega noutras ondas. Muitas aventuras aconteceram, algumas até que poderiam ser interessantes de partilhar, outras nem por isso. A questão é que a minha disponibilidade já não é a mesma, avancei no tempo, no espaço, no trabalho. Mantive esta decisão em suspenso durante algum tempo porque não sabia o que fazer, se haveria de depois publicar em bloco um mês de posts em atraso, de histórias de notícias, mas foi-se arrastando até ao infinito. Hoje decidi que já não fazia sentido. Já não iria recuperar o tempo passado e também já não tem para mim cabimento retomar do nada uma rotina que já não tenho, um contexto do qual estou distante. Assim, os amigos mais próximos continuam e sempre souberam onde me encontrar. Os outros, terão sempre o meu site pessoal onde podem seguir as minhas criações musicais e literárias. Devaneios, contemplações, críticas gastronómicas e notícias? Pois, paciência, terão de procurar noutro lado, a informação abunda não será por aí...

Até sempre a todos quantos seguiram este blogue. A vida continua!

sábado, agosto 13, 2011

«Não têm nada para fazer»

«E segundo um jornalista, é porque não têm nada para fazer.»

Isto é um enorme disparate e uma das maiores doenças da nossa civilização ocidental, mas a raiz de muitos problemas. Eu não estás claramente neste lote: quando não tenho "nada para fazer" procuro os teus próprios estímulos: ler livros, criar música, fantasiar, pensar, etc. Os momentos de aborrecimento são dos melhores que se pode proporcionar aos jovens porque é neles que se obriga a pessoa a confrontar-se com o vazio, consigo própria. E nesses momentos geralmente têm-se ideias, momentos "ah!".

Quando estamos constantemente a receber estímulos - televisão, jogos, anúncios, etc - o cérebro não pensa, é preguiçoso, é uma esponja. Mas depois precisa de dormir, de pausa, para consolidar toda a informação que lhe interessa, reter alguma e depois futuramente, em sossego, manipulá-la e associá-la.

Se "matamos" o tempo sem estímulos, nada disso vai acontecer e temos uma sociedade em que há "lixo informativo", informação que literalmente "entra por um ouvido e sai pelo outro", e jovens que viciados nela não se bastam a si próprios.

E criamos uma geração de jovens que não pensam. Que são incapazes de lidar consigo próprios porque não sabem o que querem fazer, não sabem como o fazer, não sabem para onde querem ir.

A geração nem-nem. Nem estudam, nem trabalham é dos maiores problemas por resolver das actuais sociedades.

E pessoas nesse limbo, sempre confrontadas com a sociedade consumista são profundamente infelizes porque não têm perspectivas de ganhar dinheiro, de emprego, nem de ter acesso a nada do que a televisão e o mercado lhes mostra: produtos caros, casas caras, carros caros, etc... então cria-se a necessidade e a frustração mas não se prove acesso aos meios.

Então nasce a violência, o desejo de pilhar, roubar, para ter acesso artificial a esses meios que supostamente irão dar a tal "felicidade" e suprir a necessidade criada pelo mercado. Que por sua vez, é falsa, e passado pouco tempo de terem esses bens vai continuar tudo na mesma.

Esta é a minha análise: enquanto não se resolver o problema das pessoas que não sabem o que querem fazer consigo próprias e não se bastam a si mesmas, tudo o resto virá por arrasto ao mínimo pretexto...

sexta-feira, agosto 12, 2011

Contemplações (CCXLIX)
























Ana Margarida Godinho, AKA Soylent green.

quinta-feira, agosto 11, 2011

Das lojas dos Chineses

O meu bairro é tão, mas tão elitista que a única loja dos Chineses que aqui havia faliu e fechou. E esta, hein?...

quarta-feira, agosto 10, 2011

As guitarras de Linda Perry



Palavras para quê? É mesmo uma artista.

terça-feira, agosto 09, 2011














É oficial. Descobri o sítio perfeito. Ou talvez, tenha tido simplesmente sorte e a tarde tenha sido perfeita. O Terrace Lounge do Hotel Corinthia é simplesmente mítico. Um segredo bem guardado à espera de ser desvendado.

O bar começa por ter uma zona interior e climatizada para as horas de maior calor, com mesas agradavelmente ornamentadas com cadeiras de braços estofadas. Assim, conforto garantido. Começámos por degustar uma selecção de bruschettas, muito bem apresentadas e ornamentadas com as mais diversas cores e feitios. O palato agradeceu, acompanhando os cocktails sem álcool. Copos generosos de cores garridas com sombrinhas foram o aperitivo ideal para uma boa conversa, que se foi espraiando pela tarde fora.

Chegadas as sete e meia, momento alto. A brisa fresca começou a fazer-se sentir e foi possível ir para o espaço exterior. Um jardim do Éden com sofás e cadeiras almofadadas e mantinhas à descrição, e um pianista ao vivo, o Miguel Vieira, maravilhoso na forma como articulava rapsódias com base em temas populares. Ele foi Queen, Abba, canções imortalizadas pelo Sinatra, fados, Yann Tiersen, Supertramp e muitas outras. Ocasionalmente (mas apenas muito) um ou outro tema mais clássico ou com um toque de banda sonora de série de televisão. Não é definitivamente um concerto, mas é um belíssimo entretenimento, fundo, ou até mesmo um jogo intelectual para nos pôr a reconhecer de onde é retirado o tema.

Isto claro, acompanhado de uma selecção de petiscos composta de Courgette recheada com ricota, fritada de lulas, Batatinha frita recheada com bacon, presunto e melão, cornichon, fatiazinhas de carne assada, e mais bruschettas. Para temperar tudo, claro que não faltou o sumptuoso gelado de tiramisú regado com rum e chantilly e bolacha. Ficámos por lá, deleitados na conversa, na música e nas iguarias até às onze da noite. O total das seis horas passadas naquele cantinho de paraíso custou vinte euros por pessoa.

segunda-feira, agosto 08, 2011

A busca da felicidade

Confirma-se. Basicamente a "felicidade" enquanto conceito é inatingível. Felicidade são estados momentâneos, transitórios. A busca de felicidade enquanto um fim, enquanto algo que uma vez alcançado perdura e nos deixa em perpétuo prazer é um mito. Vive melhor quem aceita viver o acontecimento, fantasiar a possibilidade e perdurar a memória. O caminho é que interessa e não o desfecho.