Por estes dias nas ruas de Londres vai sendo possível encontrar pianos espalhados pela cidade. Uma data deles, todos pintados ou decorados de formas pouco convencionais. Segundo o autor, a ideia desta instalação é a expressão livre e popular das pessoas pela música. Cada piano é como se fosse uma tela em branco, que alguém vai colorir. Cada transeunte pode decorar a cidade a seu gosto com os sons que lhe vierem da alma (e dos dedos), ou simplesmente deleitar-se a ouvir os outros. A instalação já passou pelo Brasil e pela Austrália. Esperemos um dia poder vê-la por Lisboa!
Aproveitei a boa iniciativa da alta de Lisboa e desloquei-me ao simpático parque da Quinta das Conchas para ver um filme que prometia muito e que nunca tinha calhado a ver. Não me desiludiu. O tempo é curto, muito, e por isso mesmo o retrato pareceu escasso. Mas o pouco que foi mostrado foi fidelíssimo a muitas coisas que se passam no nosso cantinho à beira mar plantado. Turmas multiraciais, também temos. Turmas problemáticas, desmotivadas, indisciplinadas, aos milhares. Se há uns anos poderíamos dizer que eram exceções, hoje em dia, se calhar, são a regra.
E não há que ter pena do pobre professor de Francês. Há que tomar consciência que aquele professor de Francês é um pouco cada um de nós, enquanto professores, com os seus dilemas, angústias, zangas, orgulhos, defeitos e virtudes. Apenas a tentar transmitir um pouco de conhecimento. Uma excelente sobremesa para fim de ano letivo.
No dia 3 de Julho, as classes de piano dos professores Fausto Nobre e Sara Costa irão apresentar-se na Casa Fernando Pessoa, num recital de final de ano. Os alunos, de vários níveis de aprendizagem, tocarão peças de Charles Hervé e Jacqueline Pouillard, Michael Aaron, Carl Czerny, J. S. Bach, Barbara Kirby-Mason, Ludwig van Beethoven, Clementi, Tiago Videira, John Kember, J. Brahms e G. Fauré.
«Eu digo a uma pessoa que tenho um dragão na minha garagem. Essa pessoa quer confirmar a existência do dragão, e pede para que eu a leve lá. Mas, ao chegar lá, na garagem não se vê qualquer dragão. E é aí que eu afirmo que "este dragão é invisível". Então a pessoa sugere espalhar farinha pelo chão para se ver as pegadas do dragão, ao que eu respondo que "este dragão flutua no ar". Então a pessoa sugere usar um detector de infravermelhos para detectar o calor do fogo que o dragão expele, ao que eu respondo que "o fogo deste dragão não emite calor". Então a pessoa sugere um spray para pintar o dragão, ao que eu respondo que "além de invisível, o dragão é incorpóreo". E assim sucessivamente, cada proposta da outra pessoa para testar a veracidade da minha afirmação, eu arranjo uma desculpa para que isso não dê resultado. Moral da história: "Qual é a diferença entre um dragão invisível, incorpóreo e flutuante, que cospe fogo sem calor; e a ausência de dragão?"» - Miguel Galrinho
«Se eu acreditar que o dragão existe posso mudar o meu comportamento devido a essa crença e dar por exemplo um enxerto de porrada a quem ridicularize essa crença.
É uma diferença brutal entre um dragão invisível... e a sua ausência.» - Migas
Ontem foi dia de regressar a um lugar que me é bastante querido: o Cais do Ginjal e o seu magnífico restaurante "Atira-te ao rio". Num cenário algo degradado, decrépito e aparentemente desolador de casas em ruínas e armazéns aparentemente abandonados na beira-Tejo, encontramos um restaurante com esplanada magnífica e ambiente acolhedor. A vista é deslumbrante especialmente na transição do sol para as sombras, que foi à hora a que fomos. Apanhámos Lisboa com sol, o seu estonteante pôr-do-sol, e viemos embora com uma vista by night.
O jantar, íntimo com gente gira e adorável, foi composto por entradas de bolinhas de pão queijado. Depois seguiu-se um bobó de Camarão: miolo do dito embrulhado em mandioca e óleo de palma, servido com arroz. Para acompanhar, uma limada (igual à caipirinha, mas com água em vez de vodka). Pedimos ainda lasanha de bacalhau, Moqueca de peixe e Pato Alegre. Para sobremesas os eleitos foram os Manjares brancos, divinais pudins de côco regados com calda de ameixa, Quindim, doce de ovos com côco e uma mousse de goiaba. Tudo regado com música brasileira calminha e no volume certo para nos acompanhar de fundo.
O preço ficou em 22 euros por pessoa, com direito a boas memórias.
Tiny Tim - Living in the sunlight, loving in the moonlight
Tiny Tim era alguém muito especial com uma musicalidade e graciosidade muito próprias. Em tempos tristes e de crise, nada como recordar a sua mítica e alegre (extremamente alegre!) versão de "living in the sunlight, loving in the moonlight", carregadinha de tiques e com um timbre delicioso. E soltem o pequeno Tiny Tim que existe dentro de cada um de vós!...
Um dos problemas que se põe com o choque tecnológico é, então, a desadequação do atual corpo docente às necessidades e expetativas do ensino que se propõe ministrar. Com computadores ligados à internet em cada sala de aula é esperado que o professor faça uso deles permanentemente, é esperado que adeque a sua planificação aos recursos que tem. E isto é uma tarefa que não é fácil.
Para começar, como convencer milhares de professores que durante anos a fio deram as suas aulas com quadro e giz? Como convencê-los a sair da sua apatia e dizer-lhes que agora têm de trabalhar a sério, têm de se renovar, têm de aprender. Sabemos a resistência à mudança. E sabemos quão difícil é a adaptação de gerações mais velhas a novas tecnologias. Por isso vamos ter muita resistência no corpo docente mais envelhecido. Caberá às novas gerações irem implementando as mudanças desde já e tentando transmitir o seu conhecimento informático aos mais velhos.
A experiência ainda é rainha. Que choque psicológico poderá causar ao corpo docente mais velho sentir-se ultrapassado por putos novos que mexem com habilidade com as máquinas? O problema é mais profundo do que parece.
É ver docentes envelhecidos a acharem que os alunos de agora estão permanentemente desmotivados e indisciplinados a demitirem-se dos seus deveres. Pura e simplesmente não conseguem, e não têm já resistência para aturar uma cambada de malcriados. Assim debitam a matéria para quem quer ouvir. No final atribuem notas fictícias para não terem de justificar 20 chumbos numa turma de 24. E assim vão cantando e rindo até cairem de esgotados e meterem baixas consecutivas e a reforma.
Todo o sistema parece doente. Os alunos porque cresceram noutra era, precisam de outras motivações, outra forma de estar na sala, outra maneira de serem ensinados. Os professores porque têm de mudar o paradigma, têm de alterar a sua forma de dar aulas se almejam a ter sucesso e menos ralações. Vai exigir trabalho e muita formação, muita disponibilidade mental e física de todos. E muito menos burocracia e sucesso fácil fabricado. Exige-se rigor. A informatização veio aí. E quem quer fazer o resto?